Quinta-feira, 03 de janeiro de 2008 - 12h09
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Alexandre Battibugli |
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LocaWeb: 10 a 20 servidores virtuais dentro de cada máquina
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Em tempos de consolidação e virtualização de servidores, o data center consome menos recursos e se adapta à ti verde.
O que as empresas que querem contratar serviços de data center podem esperar desse mercado? Um contínuo processo de modernização pode ser a melhor resposta. Os fornecedores de data centers têm investido em soluções para consolidar e virtualizar servidores, storage e equipamentos de rede, além de ir na direção de sistemas blade e em tecnologias para reduzir o consumo de energia. A preocupação tem crescido à medida que o conceito de TI verde avança.
A inquietação faz sentido. Segundo dados do Gartner, um rack que há três anos consumia entre 2 mil e 3 mil watts de energia, hoje pode chegar a 30 mil watts, dependendo da quantidade de equipamentos empilhados. Com isso, estima-se que por volta de 2009 a conta de energia elétrica passará a ocupar o segundo lugar na lista de principais custos operacionais em 70% dos data centers.
A onda de consolidação e virtualização dos servidores deve ajudar a resolver problemas como o de energia. Cria novas formas de aproveitar a capacidade de processamento e evita que máquinas sejam subutilizadas. A virtualização vai ainda pautar a TI nos próximos anos e, segundo o Gartner, as empresas que não se adaptarem a esse conceito correm o risco de verem seus negócios atropelados pela concorrência.
O termo virtualização nasceu no tempo dos mainframes. Na atual versão para servidores e storage, um software permite que cada máquina real seja multiplicada em várias virtuais. Desse modo, as empresas conseguem enxergar a capacidade de processamento total disponível, independentemente do servidor. As aplicações não ficam restritas a um único computador, e os usuários não percebem que estão compartilhando recursos.
De acordo com a demanda por processamento, o poder computacional pode ser deslocado de uma aplicação para outra. Há, assim, uma economia em recursos físicos para servidores, já que o uso torna-se compartilhado. ?A consolidação resolve bem o passado e a virtualização prepara as máquinas para o futuro?, afirma André Vilela, diretor de soluções corporativas da Unisys América Latina.
Com a virtualização, é possível reduzir em cerca de 40% o consumo de energia. Os custos operacionais também podem cair. Uma companhia que tenha 250 servidores dual core pode economizar 4 milhões de dólares, em três anos, com a adoção de tecnologias de virtualização. O cálculo é da consultoria The Butler Group, que conduziu um estudo sobre infra-estrutura de TI no Reino Unido.
“Nos próximos dois ou três anos, a virtualização será prática normal na maioria das grandes empresas”, afirma Eraldo Jiaqueto, diretor de data center da Global Crossing. Há seis anos, a empresa, que oferece serviços de data center dos tipos hosting e colocation, consolidou os servidores de seus três data centers, que abrigam 4 mil processadores.
No serviço de hosting, o cliente loca o data center e o fornecedor é também responsável pela provisão das máquinas. No colocation, ou housing, o cliente utiliza seus próprios servidores, no data center alugado. Esses serviços são atualmente os de maior demanda no mercado. Segundo o Gartner, empresas que possuem máquinas ecologicamente corretas optam pelo colocation e as que não têm condições de investir em modernização do parque preferem o hosting.
BAIXO CUSTO
Além da preocupação com a otimização do uso de equipamentos, o que mais os clientes de data centers demandam? Segundo Roberto Lucas, vice-presidente de operações da Matrix Internet DataCenter, a busca por custo menor é uma constante e tem gerado contratos com tempo cada vez mais curto. “Antes os negócios eram de 36 meses. Hoje são de no máximo 24 meses. O cliente não quer se amarrar a um fornecedor de soluções por muito tempo, porque uma nova tendência de mercado pode surgir e outra empresa oferecer o serviço por um preço menor com a mesma qualidade”, diz Lucas.
Mesmo com a busca por preço, a procura pela virtualização tem sido grande. “Em um ou dois anos, teremos um boom dessa prática”, afirma Lucas. Além de oferecer a tecnologia do momento e uma boa relação custo-benefício, é papel do fornecedor de data center entender o negócio do cliente para oferecer uma solução na medida, com segurança e total disponibilidade. “O data center deve ser flexível, atualizado e automatizado, para criar novas soluções”, afirma Lucas.
Avaliar o negócio para depois adaptar os recursos é o mantra da Unisys. Segundo André Vilela, essa estratégia é chamada na empresa de infra-estrutura em tempo real. A Unisys, a exemplo de concorrentes como a IBM e a HP, possui um grupo de consultoria que oferece aos clientes serviços de avaliação e diagnóstico de data center e de impacto nos negócios. ?Alguns clientes preferem o hosting, outros o colocation, mas é possível ainda simplificar a infra-estrutura que ele tem dentro da empresa?, afirma Vilela.
Outra tendência na Unisys é a virtualização de desktops, com terminais nas pontas e CPUs em um servidor centralizado. Apesar de limitar o poder de processamento, isso pode contornar problemas, como a propagação de vírus, e diminuir o custo na hora da renovação das máquinas.
Na HP, a virtualização foi testada dentro de casa. Para diminuir os custos de TI em 1 bilhão de dólares, a HP consolidou em 40 os antigos 85 data centers espalhados pelo mundo. A intenção é que até 2008 eles passem a ser apenas seis, alocados nas cidades americanas de Atlanta, Houston e Austin. Com essa solução, Cláudio Rangel, gerente de indústria de telecomunicações da HP, afirma que a companhia deve economizar 80 milhões de quilowatts/hora por ano. No Brasil, a experiência com virtualização virou serviço. A HP oferece aos clientes um estudo que avalia e faz um diagnóstico de sua infra-estrutura, independentemente de o cliente contratar ou não os serviços.
A AGF Seguros, subsidiária brasileira do Grupo Allianz, é uma das empresas que investiram na virtualização. Em 2005, a seguradora começou a implementar um projeto de governança de TI que incluiu um plano de virtualização dos servidores, em um investimento de 2,5 milhões de reais. “Tínhamos 14 servidores de banco de dados e outros 25 de aplicações. Depois do projeto, concentramos o banco de dados em três servidores e as aplicações em cinco. A virtualização nos permitiu reduzir custos com licenças, criar um plano de recuperação de desastres e consolidar os servidores”, diz Emílio Vieira, CIO da AGF Seguros. Segundo ele, o projeto gerou uma redução de tempo de 50% nas operações. “Quase um ano depois de instalado, o sistema não caiu nenhuma vez”, afirma.
TEMPERATURA ALTA
Um dos principais problemas de um data center é o crescimento não planejado, que provoca aumento na densidade de equipamentos dentro do ambiente, com mais calor e aumento da necessidade de refrigeração para evitar problemas de indisponibilidade das máquinas. Quando estruturou seu data center, inaugurado em maio do ano passado, a LocaWeb investiu na virtualização para manter uma estrutura enxuta, sem equipamentos ociosos, para reduzir custos. O data center abriga 1 800 servidores, e a estratégia foi utilizar equipamentos de maior capacidade e menor consumo de energia, com 10 a 20 servidores virtuais dentro de cada máquina. “Temos ambientes virtuais desde 2004. Essa é uma tendência irreversível”, afirma Gilberto Mautner, vice-presidente de tecnologia e novos negócios da LocaWeb.
A Alog, fornecedora especializada em hosting gerenciado, utiliza um software proprietário para controlar seus dois data centers, localizados no Rio de Janeiro e em São Paulo. Segundo Sidney Breyer, presidente da Alog, o software, chamado Persa, mapeia o ambiente, a temperatura dos racks e vários outros dados. Depois informa ao administrador quais áreas precisam ser mais ou menos refrigeradas. “Investimos em um layout onde extraímos o ar quente do ar-condicionado e jogamos ar frio”, afirma Breyer. A Alog usa ainda virtualização e certificação de processos para sustentar o plano de crescimento dos negócios. Após a fusão, em julho passado, com a .comDominio, outra empresa de data center, a Alog passou a contar com 800 clientes corporativos de hosting gerenciado e location.
Climatização é uma preocupação também da Tivit, empresa pertencente ao Grupo Votorantim. Seus sistemas de refrigeração são compostos de equipamentos industriais automatizados e redundantes, com autonomia no fornecimento de água. “Conseguimos manter a temperatura ideal e constante no interior do data center, com água gelada para as unidades de evaporação e com válvulas de isolamento que permitem a manutenção do sistema sem a interrupção do fluxo de água gelada. Essa solução gera uma economia de até 40 mil reais por mês com energia”, afirma Carlos Mazon, diretor de infra-estrutura da Tivit. Os data centers da empresa ficam em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Já a IBM anunciou, em agosto deste ano, que vai consolidar 3 900 servidores em cerca de 30 mainframes System z, que rodam Linux, na mais significativa transformação de seus data centers, que ocupam um total de 743 mil metros quadrados de espaço. O novo ambiente deve consumir cerca de 80% menos energia, e a companhia espera economizar também com software e sistemas. Essa iniciativa faz parte de um projeto chamado Big Green, avaliado em 1 bilhão de dólares. Seu objetivo é reduzir o consumo de energia dos data centers da própria IBM e de seus clientes. “Esperamos economizar eletricidade suficiente para abastecer uma pequena cidade, além de reduzir custos com licenças de software e ampliar o uso de vários aplicativos, já que o projeto prevê a adoção de Linux”, afirma Carlos Pane, gerente da área de comunicação integrada e infra-estrutura de data centers da IBM.
Os sistemas de refrigeração são responsáveis por quase 60% do consumo de energia de um data center. Por isso, qualquer iniciativa na direção de uma TI verde deve passar pela avaliação do ambiente onde estão instalados os equipamentos. O cálculo do retorno dos investimentos também leva em conta o consumo de energia. De acordo com a APC (American Power Conversion), empresa especializada em soluções de disponibilidade de energia, aproximadamente metade da energia usada em um data center destina-se à manutenção da infra-estrutura física de rede. A outra metade vai para a carga de processamento de dados.
A eliminação de um servidor significa uma redução de consumo de aproximadamente 200 a 400 watts, dependendo da tecnologia de virtualização utilizada. Esse ganho pode ser transformado em reais, multiplicado pelo valor do watt, para mostrar a redução de custos por ano. A projeção em dez anos pode apontar um valor igual ou superior ao custo da máquina em si.
É possível economizar mais ainda com ações no plano operacional, como aposentar sistemas ou migrá-los para plataformas mais eficientes. O projeto Big Green, da IBM, ilustra essa preocupação. “Com as novas tecnologias, esperamos duplicar a capacidade computacional dos data centers, nos próximos três anos, sem aumentar o consumo de energia e sem que isso implique maiores emissões de dióxido de carbono. A economia de energia anual deve ser de mais de 5 bilhões de quilowatts-hora”, afirma Carlos Pane, da IBM. Segundo a consultoria IDC, atualmente são gastos com energia cerca de 50 centavos para cada dólar investido em equipamentos de informática e espera-se que esse valor aumente 54% nos próximos quatro anos.

Cibele Gandolpho, edição de outubro de 2007